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Recanto de paz em Amsterdã

Por Bailandesa no dia 03/03/2008 às 16h26

Abro o portão e o silêncio toma conta de tudo. A visão que tenho é de um oásis de tranquilidade. Harmoniosas casas ao melhor estilo holandês, um verde e bem cuidado gramado, uma  antiga Igreja e sim, o silêncio. Tudo nos envolve numa atmosfera quase sacra. Se contar a vocês que esta é uma parte de Amsterdã, vocês provavelmente duvidarão. Mas é verdade. Encrustado no centro de Amsterdã, cercado por casas comerciais, coffeeshops e muita gente, está o Begijnhof.  Um "hof" é um espécie de jardim, um espaço de área verde privada comum em cidades holandesas. Numa tradução livre, o nome Begijnhof seria algo próximo de Jardim das Beguinas. Uma ordem de mulheres viúvas e solteiras que apesar de não fazerem votos, levavam um vida casta e se dedicavam a ajudar os mais necessitados. 

Incrível como num cantinho da cidade pode caber tanta paz e tanta história. Tudo indica que o lugar tem origem no século XIV, mas não se tem certeza. Existe um documento de 1389 que cita uma casa  ou uma “beghynhuys”. No Begijnhof  está a casa mais antiga de Amsterdã, a Houten Huis - número 34 - ou casa de madeira.  Esta é uma das duas únicas casa com fachada de madeira que restaram na cidade após o incêndio no Século XV. A outra ficam em Zeedijk e já falamos sobre ela aqui.

A Elgense kerk (Igreja Inglesa) é uma atração que se mistura com a própria história do lugar. Quase totalmente destruída após um incêndio na capital holandesa, foi reerguida. Já foi católica e, durante a Reforma, tornou-se Protestante.

Um outro destaque é a Capela Escondida (casas 29 e 30). Local onde durante a perseguição à Igreja Católica, as Beguinas professavam a sua religião. Elas conseguiram uma autorização especial, contanto que o lugar externamente nao parecesse uma Igreja. Também lá você pode ver os painéis de M. C. Schenk e acompanhar a história do Milagre de Amsterdã, quando uma hóstia em chamas foi recolhida por uma beguina sem causar dano algum à beata.  Este é um lugar disputado para casamentos e batizados. 

Segundo a tradição, as beguinas eram sepultadas na Igreja. Apenas Cornelia Arents, que na época da Reforma, quando a Igreja das beguinas passou para as mãos dos prostestantes, como último desejo, pediu que nao fosse enterrada lá. No entanto, contrariando a sua vontade, ao morrer em 1654, primeiramente ela foi enterrada em solo protestante e só depois a sua sepultura foi transferida para a parte de fora da Igreja, junto à parede. A última beguina morreu em 1971, aos 84 anos de idade, mas as habitantes do Begijnhof continuam sendo mulheres que ainda reservam grande parte do conservadorismo e vida casta de outros tempos. Portanto, o respeito ao silêncio e à privacidade dos moradores é importante e grupos muito grandes não são bem-vindos.

Quer dar uma pausa na agitação no centro de Amsterdã? Vá até a Spui, esquina com a Kalverstraat e faça uma viagem ao tempo.

O Begijnhof está aberto de 9h às 15h diariamente.

A entrada é gratuita. 

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