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O holandês e um quilo de sal

Por Bailandesa no dia 15/04/2007 às 15h37

Uma sábia amiga sempre me disse que pra conhecer bem uma pessoa, você precisa gastar pelo menos um quilo de sal ao lado dessa pessoa. Haja tempo e comida a ser feita, né?  Logo, quem vai passar apenas alguns dias aqui na Disney do Queijo, provavelmente não vão perceber muito do que vou falar no post de hoje. Sentirão apenas que os holandeses geralmente são simpáticos e solícitos com os turistas. Mesmo assim acho interessante saber um pouco mais do povo que se está visitando. Mas temos também os que vêm a trabalho ou para estudar. Esses passarão mais tempo e com certeza terão a oportunidade de vivenciar alguns momentos em que sentirão o choque entre culturas tão diversas. Antes que isso aconteça, é bom estar não digo preparado, mas avisado. Por isso, resolvi passar um pouquinho do que pude ver até agora. E olha que já gastei alguns quilos de sal por essas bandas e ainda preciso gastar outros tantos para conhecer melhor o povo holandês.

 

FRANQUEZA

Esqueça o medo de dizer não quando um amigo te chama pra sair e você não está com um pingo de vontade. E nem precisa arrumar uma desculpa, seja ela boa ou esfarrapada. Um simples "não" é o suficiente.  Não gostou da cor da parede que seu colega acabou de pintar na casa novinha? Ao ser perguntado, seja honesto e diga que acha horrível. Tá chocado? Pois é, aqui é assim. Os holandeses não têm papas na língua e não têm o menor constrangimento em expressar a sua opinião - mesmo que seja contrária a sua -. Também não têm a menor cerimônia pra dizer não.  Muitas vezes, para nós estrangeiros, isso pode ser encarado como falta de educação e grosseria. Para eles é uma questão de ser direto. Outra coisa, eles vão direto ao ponto, fazendo perguntas que podem te deixar desconcertado e também conversam sobre assuntos polêmicos com uma naturalidade como quem fala sobre o tempo (uma verdadeira obsessão nacional). Prepare-se!

 AMIZADE

Se você pensa que o seu trabalho aqui vai ser o melhor lugar para conhecer nativos e fazer amigos, esqueça. Para o holandês, vida profissional e privada são como linhas paralelas, nunca se cruzam. É mais fácil um holandês torcer pra Alemanha na Copa do Mundo do que convidar um colega de trabalho para um jantar em sua casa - exceto se for um evento relacionado à profissão. As amizades aqui nascem de hobbies, esportes ou interesses em comum. Ou seja, chegou na Holanda e não conhece ninguém, procure por um esporte coletivo, um curso de fotografia, pintura, dança ou qualquer coisa que goste de fazer. Esse é o caminho para se fazer amigos por aqui. Mas não pense que você já vai ser convidado para um churrasco no final de semana. Antes do convite, ele vai querer te conhecer melhor.

 

OPINIÃO E REUNIÕES

Os holandeses gostam de expressar a sua opinião e também gostam de pessoas que falam o que pensam. Eles também são capazes de defender a ferro e a fogo aquilo que acreditam. Isso influencia diretamente em reuniões e negociações e nos leva ao Poldermodel. Esse é o nome do modelo de tomada de decisão holandês, que acredita-se tem sua origem  nos anos 80 quando acordos entre trabalhadores, sindicatos e empresas foram firmados e que é utilizado em muitos âmbitos da esfera social. Passei por essa experiência, quando tive uma reunião com o meu time de vôlei. O resumo da história é: todos dão a sua opinião e a reunião só termina, não quando a maioria chega a um acordo, mas quando todos (mas todos mesmo) chegam a um consenso e dividem uma mesma opinião. Acreditem, isso pode levar horas e levar qualquer estrangeiro à loucura.

 

 

RESPEITO À VIDA PRIVADA

Apesar de serem diretos e francos, os holandeses guardam muito bem a sua vida privada. Apesar da maioria das casas ter janelas imensas, pelas quais pode-se ver quase todo o interior da sala, eles odeiam que você fique olhando e bisbilhotando a sua intimidade. Também não olham muito (explicitamente) pras pessoas na rua, nem dentro dos carros.  Não é à toa que o Big Brother nasceu aqui. Deve ser demanda reprimida. Também não são de muitos beijinhos e abraços. Guardam uma certa distância e não se tocam muito quando falam. Então já viu, né? Esqueça o tapinha nas costas e se não tem intimidade, um aperto de mão ou apenas um "oi" são mais do que suficientes.

Uma última coisa: quando falamos de gente, a única certeza é de que todos nós somos únicos. Portanto, provavelmente você encontrará holandeses de todos os tipos e que agirão das mais diversas formas. Pra mim, o mais importante quando se viaja ou se muda de país, é esquecer estereótipos e estar aberto à novas culturas. Assim, tudo fica mais fácil e a experiência mais enriquecedora.

Até mais!

 

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